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Paolinelli diz que Brasil investe pouco na infraestrutura

Para ex-ministro, o país enfrenta déficit há quase 40 anos, quando governo fez baixar de 9% para 1,8% do PIB os investimentos na área

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Ex-ministro da Agricultura e atual presidente da Associação Brasileira de Produtores de Milho (ABRAMILHO), Alysson Paolinelli  participa, pela segunda vez, do Fórum do Agronegócio, que acontece dia 8, na ExpoLondrina. O evento, uma realização da Sociedade Rural do Paraná (SRP), tem como tema “Potencializar o Agro: da infraestrutura à agregação de valor. Soluções?” e reunirá em Londrina as principais lideranças do agronegócio brasileiro. Paolinelli será um dos debatedores no painel “Soluções e desafios para potencializar a eficiência do Agronegócio brasileiro”.

De acordo com Paolinelli, discutir infraestrutura e logística, nesse momento, é imprescindível “em função do que está acontecendo no país nos últimos 40 anos”. Segundo ele, desde o primeiro plano econômico, em 1986, que a infraestrutura brasileira e as políticas públicas para a produção estão destroçadas.  “Até 1986, Brasil vinha aplicando uma média de 9% do  PIB na construção da infraestrutura, só do Tesouro. A partir desse famigerado plano econômico, que foi uma distorção da econômica – onde se arrebentou o setor produtivo para corrigir erros da política econômica -, passou-se a investir menos de 1% na infraestrutura”, diz. Com isso, aponta, tivemos todo esse período em péssimas condições e, de cinco a seis anos para cá, com o governo tentando fazer as parcerias-público-privadas (PPPs) “mas, mesmo com elas, não investe mais que 1,8% do PIB”. “Há déficit de investimentos, num país continental como o Brasil, espantoso. E o pior disso é que não consertaram a economia, e  cada dia fazem mais trapalhadas”, diz.

Segundo Paolinelli, o Brasil deve hoje mais de R$ 4 trilhões – “mas, há muitos esqueletos nos armários ainda, somados ao déficit dos estados, municípios e estatais o valor vai passar R$5 trilhões de dívida pública” . “O país se endividou, não consertou nada e deixou essa situação de penúria. Como uma dívida dessa não se paga de uma hora para outra, isso daí vai levar até uns 15 anos. Vai ter uma projeção de investimentos muito grande do governo, então teremos que criar condições para que o setor privado se interesse”, afirma. Ele, no entanto, também faz uma crítica ao setor privado: “na maioria dos países, uma ferrovia é amortizada em 30 anos. Aqui, no entanto, a iniciativa privada quer amortizar tudo em 5-6 anos, o que causa elevação do frete.

Paolinelli também faz críticas “à burrice ideológica” que travou os estudos de viabilidade de utilização das hidrovias. “Os especialistas em transporte no país alegam que os rios Araguaia-Tocantins estão para o Brasil hoje como o Mississipi esteve para os Estados Unidos, em 1930. Só que, aqui, ficamos 13 anos discutindo se podíamos fazer o RIMA (relatório de impacto ambiental) ou não. Fazer o Rima não estraga nada, só botar profissionais  numa balsa e soltar no rio, para subir e descer o rio. Agora estão dizendo que podem fazer”, diz. Segundo ele, o Mississipi, da nascente ao golfo, tem 104 eclusas e Araguaia-Tocantins tem uma que está pronta. “Agora estão discutindo se arrebentam ou não aquelas pedras da Ilha do Bananal. Parece que decidiram arrebentar. E não precisa de mais nada, é só colocar os produtos nas barcaças”, afirma.

Para ele, também é preciso revisar as políticas agrícolas.  “Hoje, o crédito rural  é a fonte de recurso mais cara do mundo. Os médios e pequenos sofrem para pegar dinheiro, enquanto os grandes têm fartura.  A política de preço mínimo não funciona, porque não há dinheiro suficiente.  Não se consegue implantar o seguro rural – o único país que não oferece cobertura ao produtor - mesmo com o manifesto interesse das empresas privadas em participar. Fala-se que tem, mas não atende 10% dos produtores.  Porque depende de recursos do governo para subsidiar os custos. A agricultura brasileira fica portanto na dependência”, afirma.

 

Informações e inscrições podem ser acessadas no site www.forumdogronegocio.com

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